Texto completo da Revista do Professor
Lição 3 - A TENTAÇÃO DE CRISTO Texto básico: Lucas 4.1-13POR QUE VOCÊ DEVE DAR ESTA LIÇÃO
Caro professor, há, pelo menos, duas razões pelas quais você deve dar esta lição. A primeira é que o episódio da tentação de Cristo é ricamente instrutivo. Ele ensina profundas lições sobre a pessoa e a obra do redentor. A segunda é que ela é benéfica para os crentes. Da tentação de Cristo é possível extrair verdades sobre a realidade da tentação enfrentada por todos os crentes. Além disso, a tentação de Cristo nos identifica com o redentor e traz-nos consolo para os momentos em que somos tentados. Se você deseja que seus alunos conheçam melhor a pessoa e obra do redentor, e aprendam a enfrentar as tentações, você deve dar esta lição.
------------------------------ OBJETIVO DA LIÇÃO ------------------------------
Ao término da lição o aluno deverá compreender no que consistiram as tentações sofridas por Jesus. Ele deverá compreender o que a tentação de Cristo revela sobre a terrível realidade da tentação, e como a mesma se relaciona com as nossas tentações. O aluno deverá ainda reconhecer a necessidade e suficiência da revelação escrita como meio para vencer as tentações, e aprender a confiar na misericórdia do redentor em caso de quedas eventuais.
----------------------------- A LIÇÃO NUMA FRASE--------------------------
A tentação de Cristo foi real. Nela o redentor se identificou conosco, conquistou vitória para nós e ensinou-nos profundas lições sobre o enfrentamento da tentação.
-------------------- PARA ENTENDER A PASSAGEM ----------------------
Algumas coisas importantes para se compreender esta passagem são: a) o contexto - o fato de que a narrativa do batismo, onde as palavras de Deus "este é o meu filho amado" foram ouvidas, precede a narrativa da tentação é muito relevante. Estas palavras do Pai dão o tom de todas as tentações do diabo; b) a conjunção "se" - Essa conjunção usada pelo diabo, a princípio pode dar a idéia de que o mesmo estivesse lançando dúvida sobre a filiação divina de Cristo. No entanto, a conjunção condicional usada por Lucas aqui transmite a idéia de uma condição retórica. De fato, a conjunção usada nesse verso é uma condicional de fato, um "se" retórico que transmite a idéia de certeza. Uma tradução possível que trans¬mite essa idéia é: "já que és o Filho de Deus, manda que esta pedra se transforme em pão"; c) o caráter substitutivo da obra de Cristo - não se pode perder de vista que a obra de Cristo neste mundo foi uma obra em favor dos eleitos, e que, portanto, este episódio se refere de maneira direta aos eleitos, não somente por causa de seu ensino, mas também porque a vitória de Cristo é a vitória deles.
INTRODUÇÃO
Caro professor, se você tiver um grupo de alunos íntimos, é possível iniciar a aula compartilhando dificuldades e tentações enfrentadas anteriormente. Talvez seus alunos tenham mais facilidade de compartilhar as tenta¬ções vencidas. Se alguém compartilhar tentações pelas quais esteja passando no momento, aproveite para orar por este aluno. O gancho para adentrar a lição pode ser o fato de que assim como nós o nosso redentor enfrentou as tentações.
Meditação Diária
D - Gênesis 3 - A primeira tentação; S -1 Pedro 5.8-11 - O inimigo; T - 1 Coríntios 10.1 -13 - Tentações limitadas; Q - Hebreus 2 - Socorro em Cristo; Q - Salmo 119.1 -11,105 - O Poder da Palavra de Deus; S - Efésios 6.10-20 - A armadura de Deus; S - Hebreus 4.15,16 - Graça em ocasião oportuna
O episódio da tentação de Cristo é, ao mesmo tempo, ricamente instrutivo e benéfico para os cristãos. Ele ensina-nos profundas lições sobre a pessoa e a obra de nosso redentor, ao mesmo tempo em que ensina-nos úteis lições sobre as tentações, as quais conhecemos de maneira vivencial, tais como: a astúcia do nosso inimigo e a importância da Palavra de Deus como meio para vencer as tentações. Por essas razões, o estudo do episódio da tentação será de grande valia para todos os que o fizerem.
I. DIFERENÇAS ENTRE OS SINÓTICOS
A narrativa da tentação de Cristo foi registrada por Mateus (Mt 4.1-11) e Lucas (Lc 4.1-13). Marcos também faz menção à tentação (Mc 1.12,13), embora não apre¬sente uma narrativa detalhada da mesma.
Uma diferença salta aos olhos quando lemos as duas narrativas. Em Mateus, as três tentações seguem a seguinte ordem: a) transforma pedras em pães (Mt 4.3); b) atira-te abaixo (do pináculo do templo) (Mt 4.5,6); c) adora-me e te darei os reinos da terra (Mt 4.8,9). Em Lucas, por sua vez, os itens b e c aparecem invertidos. A ordem é: a) transforma pedras em pães (v.3); b) adora-me e te darei os reinos da terra (v.6); c) atira-te abaixo (do pináculo do templo) (v.9). Considerando a maior preocupação de Lucas com a cronologia, em relação a Mateus, é provável que a ordem das mesmas tenha sido a apresentada por Lucas, e que Mateus as tenha rearranjado por alguma razão. O mais importante, no entanto, é que o conteúdo da narrativa é o mesmo nos dois evangelhos e que ambos apresentam as três tentações respondidas igualmente por Jesus.
II. O CONTEXTO
O contexto do episódio da tentação é o mesmo, tanto em Mateus quanto em Lucas. Os dois evangelistas inseriram a narrativa da tentação de Cristo, exatamente após a narrativa do seu batismo. Esse fato é relevante, primeiramente, por uma razão histórica. O batismo marca o início do ministério de Jesus. Nele, ele recebeu a capacitação do Espírito Santo de Deus, que desceu sobre ele em forma de pomba (Lc 3.21), para exercer o seu ministério terreno. A narrativa da tentação revela o ministério de Jesus já iniciado. Ela é o primeiro ato do ministério vicário de Cristo. Por isso, é significativo que essa narrativa suceda o episódio do batismo.
Mas além de uma relação histórica, a narrativa do batismo se relaciona textual-mente com a narrativa da tentação. Um detalhe importante é que ambos os evangelistas, no contexto do batismo, ressaltam as palavras do Deus Pai que revelaram a divina filiação de Jesus: "Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo" (Mt 3.17; Lc 3.22). Essas palavras de Deus seriam utilizadas por Satanás em duas de suas tentações: "Se és o Filho de Deus, manda que esta pedra se transforme em pão" (v.3), e: "Se és o Filho de Deus, atira-te daqui abaixo" (v.9). A narrativa do batismo afirma a divina filiação de Cristo que Satanás pretende distorcer. Também por isso, importa notar a seqüên¬cia entre a narrativa do batismo e a da tentação.
No caso de Lucas, especificamente, a narrativa da tentação é precedida também pela genealogia de Cristo. Ao contrário de Mateus que parte de cuja descrição da genealogia retorna de Cristo à Abraão somente, pois seu propósito é apresentar Jesus como filho de Abraão, a genealogia em Lucas, vai de Jesus à Adão, pois seu propósito é mostrar a humanidade de Jesus. E então a Deus quando escreve: "Adão, filho de Deus". Essa humanidade apresentada na genealogia é evidenciada imediatamente em seguida através narrativa da tentação.
III. A REALIDADE DA TENTAÇÃO
O fato de que, sendo Deus, Jesus não poderia pecar, tem levado algumas pessoas a afirmar que a tentação não tenha sido real. É verdade que nosso redentor, por ser Deus, estava impossibilitado de cair. A Escritura afirma de maneira clara que "Deus não pode ser tentado pelo mal" (Tg 1.13). No entanto, porque nosso redentor era também homem, ele também estava sujeito à tentação. Jesus não era tentado interna¬mente como nós, pois não tinha inclinações pecaminosas, mas podia ser externamen¬te tentado, por causa de sua real humanidade. Ele era um ser humano real, e, embora não experimentasse a corrupção da humanidade decaída, ele experimentava as limita¬ções e fraquezas da humanidade (Jo 4.6,7; 19.28). Além disso, sua alma era plena¬mente humana, profundamente sensível e sujeita aos sofrimentos próprios de sua humanidade (Mt 19.13; Lc 12.50).
Os dois primeiros versos do capítulo apontam para a realidade da tentação. Neles Lucas procura mostra que Jesus passava por uma necessidade comum à nature¬za humana: a necessidade de alimento. Ele ficara 40 dias sem alimentar-se e experi¬mentou a fome, uma experiência natural.
Portanto, a tentação não foi um teatro. A proposta de converter pedra em pão depois de 40 dias de jejum, consistiu numa tentação verdadeira para o nosso reden¬tor. Ele foi verdadeiramente tentado e não pecou (Hb 4.15).
Caro professor, muito se discute entre os teólogos se Cristo poderia ou não pecar. Alguns afirmam que se ele não podia pecar, a tentação não fora real. A pessoa do redentor é um dos mais complexos mistérios da Escritura Sagrada, e não convém especularmos sobre o "se". Nele atributos humanos - divinos se encontram. Cristo era ao mesmo tempo fraco e forte, limitado e ilimitado, onisciente e não conhecedor de tudo. E assim também ele era tentável por ser homem, e não tentável por ser Deus. A informação da Escritura é de que Cristo foi tentado, e isso basta. Sua tentação foi real, pois se ela foi apenas um teatro, a sua vitória também o foi.
IV. NARRATIVA
Jesus havia sido batizado por João Batista. Havia recebido do Espírito Santo, no batismo, a capacitação necessária para o exercício de seu ministério terreno e, estava, portanto, cheio do Espírito Santo. Pelo mesmo Espírito, ele foi levado ao deserto (v.1). Após passar 40 dias sem se alimentar, teve fome (v.2) e foi tentado pelo Diabo. Vejamos no que consistiram as três tentações.
A. A primeira tentação
Professor, você deve chamar a atenção para a astúcia do maligno e seu método. Ele procurou tentar Cristo aproveitando uma necessidade dele naquele momento. Sua ação se dá normalmente nas áreas de nossa vida em que somos fracos ou necessitamos de algo.
Aproveitando do momento de necessidade de Jesus, Satanás lhe incitou a usar de seu poder como Filho de Deus, para transformar pedra em pão e matar a sua fome, "Disse-lhe, então, o diabo: Se és o Filho de Deus, manda que esta pedra se transforme em pão" (v.3). Entendamos no que consistiu essa tentação.
A conjunção "se" usada pelo diabo, a princípio pode dar a idéia de que o mesmo estivesse lançando dúvida sobre a filiação divina de Cristo. No entanto, a conjunção usada por Lucas aqui transmite a idéia de uma condição retórica. De fato, a conjun¬ção usada nesse verso é uma condicional de fato, um "se" retórico que transmite a idéia de certeza. Uma tradução possível que transmite essa idéia é: "já que és o Filho de Deus, manda que esta pedra se transforme em pão".
O propósito de Satanás, portanto, não é levar Jesus a duvidar de sua filiação divina ratificada anteriormente pelo Pai. Tanto o inimigo quanto Jesus tinham plena convicção de sua filiação divina. Seu objetivo era destruir a confiança do Filho no desejo e poder de seu Pai para sustentá-lo. A proposta do tentador é que Jesus Cristo duvidasse da provi¬dência de Deus, e tomasse em suas próprias mãos o suprimento de sua necessidade.
Essa é uma tentação muito comum quando estamos passando por momentos de dificuldades econômicas. Nessas ocasiões somos tentados a desconfiar da providência de Deus e utilizar métodos que contrariam a Palavra do Senhor para suprir nossas necessidades. Deixar de entregar o dízimo e sonegar impostos são algumas das tentações mais comuns.
Jesus não cedeu, e respondeu a essa tentação com as seguintes palavras: "Está escrito: Não só de pão viverá o homem" (v.3,4). A resposta é uma citação de Deuteronômio 8.3. Com essa citação, ele mostra ao tentador que a manutenção da vida humana depende, sobretudo, do poder sustentador de Deus. Jesus expressa com essas palavras sua confiança no cuidado de seu Pai. Assim como o povo que ouvira de Moisés essas palavras fora sustentado de maneira miraculosa durante toda a sua cami¬nhada pelo deserto, Jesus o seria se necessário fosse.
B. A segunda tentação
Lucas registra que, em seguida, Jesus foi levado pelo Diabo a um lugar alto, para que contemplasse todos os reinos do mundo, recebendo do inimigo a promessa de possuí-los, em troca de prestar-lhe adoração (v.5-7). Não se pode afirmar com certe¬za, se Jesus foi levado fisicamente por Satanás a algum lugar alto para ver os reinos do mundo, ou se aconteceu através de uma visão. O que importa é que reinos, símbolos de poder e autoridade, estiveram ao alcance dos olhos dele e lhe foram prometidos por Satanás em troca de adoração.
A afirmação do inimigo de que os reinos da terra lhe pertenciam (v.6) deve ser encarada como uma artimanha do pai da mentira (Jo 8.44). O ensino bíblico acerca do Diabo é que ele, embora exerça uma maligna influência no mundo (Ef 2.2; 1 Jo 5.19), ocupa uma posição inferior em relação a Cristo, que é o dono e governador das nações, e tem o direito de dispor delas e de suas riquezas como lhe apraz (SI 2; Mt 11.27; 12.29; Lc 10.18; Cl 2.13-15). Se Jesus tinha essa consciência, no que consistiu essa segunda tentação?
A coroa era parte da missão de Cristo (Is 52.13,15). No entanto, antes de obtê-la, ele teria de suportar o sofrimento e a vergonha da cruz (Is 52.14; 53.3-10). A cruz causava no redentor angustia tal, que o levou a pedir ao Pai o livramento da mesma (Mt 26.39). Nessa tentação o inimigo sugere um caminho mais fácil e menos doloroso para a obtenção da vitória. Sua sugestão é um caminho para a aquisição da coroa sem a necessidade da passagem pela cruz.
Um exemplo de uma tentação comum parecida com essa é a tentação de se envolver com jogos de azar. É a busca de uma maneira mais fácil de adquirir recursos ao invés do meio determinado por Deus para a aquisição dos mesmos, o trabalho
A segunda tentação, Jesus respondeu: "Está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele darás culto" (v.8). Novamente Cristo recorre ao livro de Deuteronômio (6.13), agora para mostrar ao inimigo a vontade de Deus quanto à exclusividade da adoração. O caminho apontado pelo inimigo contrariava a vontade de Deus expressa em sua Palavra, o que fez com que a proposta de Satanás ficasse fora de cogitação.
C. A terceira tentação
Por fim, Lucas narra que Jesus foi levado a Jerusalém, colocado na parte mais alta do templo, e incitado por Satanás a se lançar abaixo, contando com o auxílio e socorro dos anjos de Deus (v.9-11). O ponto mais alto do templo poderia ter sido a cornija do pórtico real de Herodes, que tinha uma altura de cerca de 150 metros.
Nessa tentação Satanás utiliza-se de textos bíblicos que falam do cuidado de Deus para com o homem justo e encoraja Jesus a provar sua confiança na proteção e cuidado divinos afirmados por ele quando respondeu à primeira tentação. Hendriksen fornece uma paráfrase que nos ajuda a entender a tentação. Segundo ele, as palavras do inimigo podem ser assim parafraseadas:
"Já que és filho de Deus, Lança-te daqui. Poderás assim provar a sua confiança na proteção do Pai. Além disso, se a Escritura, que tão prontamente citas, é verdadeira, nenhum mal te sobrevirá, pois está escrito: Ele dará instruções a seus anjos a teu respeito. Eles não só deterão tua queda. Não, eles farão ainda mais. De forma muito terna te levarão em suas mãos, a fim de que tu, que só levas sandálias, não te firas tropeçando teu pé contra alguma dessas pedras fiadas que existem em tanta abundância no abismo embaixo." (Willian Hendriksen, Comentário do Novo Testamento, Lucas vol. 1, Editora Cultura Cristã, p. 326).
É digno de nota que há uma importante omissão na citação feita por Satanás do salmo 91.11,12. Satanás afirma simplesmente que os anjos de Deus guardariam a Cristo, dando a idéia de que o Senhor guarda os seus em qualquer ocasião indistintamente. No entanto, no salmo 91 lemos que o Senhor dá ordens a seus anjos, para que guardem o justo em todos os seus caminhos, ou seja, nos seus justos caminhos.
Embora a proposta do inimigo seja à primeira vista, apenas uma oportunidade para a demonstração de confiança, a resposta de Cristo mostra-nos o veneno da tenta¬ção escondido. Jesus respondeu-lhe citando novamente o livro de Deuteronômio (6.16) e dizendo: "Dito está: Não tentarás o Senhor, teu Deus" (v.12).
O texto citado é parte das instruções de Moisés ao povo de Israel para o ingresso na terra prometida. Nele Moisés afirma que o povo não deveria tentar o Senhor como havia feito em Massa, quando colocaram à prova a presença de Deus no meio de si perguntando: "Está o SENHOR no meio de nós ou não?" (Ex 17.1-7). A resposta de Jesus usando esse texto, nos ajuda a entender que o objetivo do tentador era levá-lo a praticar algo que Deus não tolera, mas, ao contrário, condena: a imprudência, o ato de jogar com a providência, colocar em teste a providência de Deus, e envolver-se num risco injustificadamente. "Fazer o que o inimigo propunha significaria substituir a fé pela conjectura, e a submissão à direção de Deus pela insolência" (Willian Hendriksen, Comentário do Novo Testamento, Lucas vol. 1, Editora Cultura Cristã, p. 327).
135. Quais são os deveres exigidos no sexto mandamento?
Os deveres exigidos no sexto mandamento são todo empenho cuidadoso e todos os esforços legítimos para a preservação de nossa vida e a de outros, resistindo a todos os pensamentos e propósitos, subjugando todas as paixões, e evitando todas as ocasiões, tentações e práticas que tendem a tirar injustamente a vida de alguém; por meio de justa defesa dela contra a violência; por paciência em suportar a mão de Deus; sossego mental, alegria de espírito e uso sóbrio da comida, bebida, remédios, sono, trabalho e recreios; por pensamentos caridosos, amor, compaixão, mansidão, benignidade, bondade, comportamento e palavras pacíficos, brandos e corteses; a longanimidade e prontidão para se reconciliar, suportando pacientemente e perdoando as injúrias, dando bem por mal, confortando e socorrendo os aflitos, e protegendo e defendendo o inocente.
Gn 37.21,22; Dt 22.8; 1Sm 14.45; 19.4,5; 24.12; 25.32,33; 26.9-11; 2Rs 21.9,10,19; Jr26.15,16; SI 37.8,11; 82.4; 127.2; Pv 1.10, 11, 15; 10.12; 17.22;22.24,25;23.20,29,30; 24.11,12; 25.16; 31.8,9; ls 38.21; 58.7; Zc 7.9; Mt4.6,7; 5. 22, 24; 9.12; 10.23; 25.35,36; Mc 6.31; Lc 10.33,34; 21.19; Rm 12.18,20,21; 13.10; 1Co 4.12,13; 13.4,5; Ef 4.26; 5.29; 1Tm 4.8; 5.23; 1 Pe 2.20; 3.3, 4.8,9; 1Ts 5.14; 2Ts 3.10,12; Cl 3.12,13; Hb 12.5; Tg 3.17.
136. Quais são os pecados proibidos no sexto mandamento?
Os pecados proibidos no sexto mandamento são: o tirar a nossa vida ou a de outrem, exceto no caso de justiça pública, guerra legítima, ou defesa necessária; a negligência ou retirada dos meios lícitos ou necessários para a preservação da vida; a ira pecaminosa, o ódio, a inveja, o desejo de vingança; todas as paixões excessivas e cuidados demasiados; o uso imoderado de comida, bebida, trabalho e recreios; as palavras provocadoras; a opressão, a contenda, os espancamentos, os ferimentos e tudo o que tende à destruição da vida de alguém. Gn9.6; Ex1.14;20.9,10; 21.18-36; 22.2; Nm 35.16,31,33; Dt 20.1-20; ls3.15;Pv 10.12; 12.18; 14.30; 15.1; 28.17; Mt 5.22; 6.31,34;25.42,43;Lc 21.34; At 16.28; Rm 12.19; Gl 5.15; Ef 4.31; Hb 11.32-34; 1Pe 4.3,4; Uo 3.15; Tg2.5,16; 4.1.
Catecismo Maior de Westminster
Tendo terminado todas essas tentações, o Diabo o deixou até ocasião oportuna (v.13).
V. A TENTAÇÃO DE CRISTO E AS NOSSAS TENTAÇÕES:
A. Lições sobre a tentação
1) Deus permite que sejamos tentados - Ao registrar o episódio da tentação Mateus nos informa que Cristo foi levado pelo Espírito Santo ao deserto com a fina-lidade de ser submetido à tentação (Mt 4.1). Isso significa que, embora Deus não seja o autor de nenhuma tentação (Tg 1.13), ele permite que sejamos tentados. Se o nosso redentor enfrentou tentações, nós também certamente as enfrentaremos. Por isso Cristo preveniu seus discípulos quanto à necessidade de permanecerem vigilantes para não entrarem em tentação (Mc 14.38) e os ensinou a orar não para que o Pai os livrasse das tentações, mas para que não permitisse que eles caíssem em virtude delas
(Mt 6.13). Mas o mesmo Deus que nos permite enfrentar tentações providencia a força necessária para vencê-las (1 Co 10.13).
2) A astúcia do inimigo - A narrativa da tentação de Cristo ensina-nos também sobre a astúcia do inimigo. Seu ardil é perceptível primeiramente no tipo de tenta¬ção. É digno de nota que as duas primeiras tentações buscaram em Cristo as fraquezas de sua natureza humana que naquele momento poderiam levá-lo mais facilmente a queda; a fome e a angústia pelo futuro sofrimento. A Escritura apresenta o inimigo de nossas almas como um ser astuto, que arma ciladas para levar os filhos de Deus à queda (2Co 11.3; Ef 6.11). Pode-se perceber sua astúcia também no método usado para a tentação. Ao perceber o apego de Cristo à Palavra escrita, Satanás procura justificar um ato pecaminoso com a revelação (vs.10,11). Satanás, segundo a Escritura, utiliza-se da aparência de verdade, para levar os filhos de Deus à mentira (2Co 11.14).
Há duas possíveis atitudes erradas para com nossos inimigos, sobretudo para com Satanás. Há no meio cristão aqueles que supervalorizam sua atuação e o vêem em tudo; numa queda de energia, no estouro de uma corda de um instrumento e etc. No entanto, há também quem subestime sua atuação. Esses cristãos que têm dificuldade de enxergar sua atuação em qualquer área e desconsideram seu perigo. Devemos tomar cuidado para não cair em nenhum desses dois extremos. Nem superestimação, nem subestimação.
3) A importância da revelação escrita — O episódio da tentação de Jesus também nos ensina a respeito da importância da revelação escrita. E relevante notar que todas as respostas de Jesus a Satanás são citações das Escrituras (v.4,8,12). Cristo era o Filho de Deus, cujas palavras dos lábios são santas e perfeitas, mas, quando tentado, recor¬reu à Palavra escrita de Deus. Isso mostra que a alta consideração de Jesus para com as Escrituras Sagradas. Elas são o instrumento deixado pelo Senhor para a nossa batalha espiritual diária; a espada do Espírito (Ef 6.17) que deve ser guardada no coração para nos livrar de pecar contra o Senhor (SI 119.11).
É importante mostrar que a Palavra somente atuará se estiver guardada no coração. Para tanto precisamos não somente lê-la, mas meditar nela, colocá-la em prática e, sobretudo, dependermos da ação do Espírito Santo de Deus.
Mostre que vencer as tentações é possível. Não foi somente o Senhor Jesus Cristo que as venceu. Apresente personagens bíblicos, homens comuns como nós, que foram duramente tentados e resistiram à tentação. Um grande exemplo é José do Egito (Gn 39.6-12).
B. A identificação
Por fim, deve-se lembrar que a obra de Cristo nesse mundo fora uma obra substitutiva. O redentor veio a esse mundo para realizar uma obra em favor dos eleitos de Deus. Sua tentação é parte dessa obra. Nela, Cristo Jesus se identificou com os pecadores, conheceu na própria pele sua fragilidade, e as venceu em favor de todos aqueles que ainda pecadores, se entregam a ele em arrependimento e fé (Hb 4.15). Por isso, ainda hoje, o redentor pode socorrer-nos em nossas tentações (Hb 2.18), até que, por sua vitória, estejamos completamente livres delas (Ap 21.1-4).
CONCLUSÃO
Cristo foi verdadeiramente tentado por Satanás. As tentações consistiram em levá-lo a duvidar da providência de Deus, desviá-lo de sua missão, oferecendo-lhe um caminho supostamente menos doloroso para a conquista da vitória, e, por fim, levá-lo a colocar à prova o Senhor Deus. A sua tentação o identifica conosco, e sua vitória sobre a mesma é a nossa vitória, pois sua missão era substitutiva.
Esse episódio da tentação de Cristo ensina-nos sobre a realidade da tentação na carreira cristã, a astúcia do inimigo, e a importância da Palavra de Deus como instru-mento para vencer a tentação.
APLICAÇÃO
Essa aula poderá ser encerrada com a oração ensinada por Cristo Jesus, assim todos a uma só voz poderão orar: “não nos deixes cair em tentação: mas livra-nos do mal”.
Esteja consciente de que as tentações sempre farão parte da vida do crente nesse mundo. Não menospreze seus inimigos. Tanto o mal que habita em você, quanto seu inimigo personificado, o diabo, são inimigos poderosos e ardilosos em seus propósitos. Procure enfrentar as tentações de maneira correta, buscando na Palavra de Deus a força necessária para vencê-las. Conheça a Bíblia e tenha-a guardada em seu coração. Quando houver quedas ocasionais, console-se no fato de que o redentor conhece a fraqueza humana e se compadece de seus filhos.
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